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Batman – A Piada Mortal | Resenha

A história clássica com um toque extra

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por Israel Pinho

Pela primeira vez em 30 anos tive a chance de conferir no cinema um longa-metragem do Batman e a oportunidade não poderia ser melhor, já que o longa em questão trata-se da adaptação de uma das graphic novels mais aclamadas da história: A Piada Mortal.

Escrita por Alan Moore (V de Vingança, Watchmen), A Piada Mortal é considerada por muitos como a história definitiva do eterno embate entre Batman e Coringa. Mais do que apenas um caso de impedir o Palhaço de cometer um de seus crimes usuais, aqui a ameaça é muito mais psicológica e não abrange nada catastrófico como o envenenamento do reservatório de água de Gotham ou espalhar gás mortal do riso em um desfile de balões. O alvo do Coringa é o Comissário James Gordon e o objetivo é simples: levar à prova o argumento de que basta apenas um dia ruim para que alguém fique tão louco quanto ele.

Esse longa-metragem, no entanto, não se limita a apenas adaptar a obra de Alan Moore, pois nos traz uma extensa introdução focada no relacionamento de mentor e aluno entre Batman e Batgirl, antes que esta viesse a abandonar o manto de morcego. Talvez seja nessa história inédita, de autoria de Brian Azzarello, em que reside o maior problema do longa.

Embora essa primeira parte da história seja digna de crédito pelo ótimo trabalho da equipe de animação, a qual garantiu fluidez de movimentos dos personagens e certos traços claramente inspirados em animes, é justamente o roteiro que deixa a desejar no que concerne à motivação da Batgirl em se provar digna de combater o crime em Gotham ao lado do Batman. 

É preciso levar em consideração, mesmo que isso fique implícito no longa, que ela não é parceira do Batman há pouco tempo nem se trata de uma ajudante ainda em treinamento. Batgirl é plenamente capaz de resolver um caso por conta própria, pois não lhe falta o intelecto nem a perspicácia, tampouco a habilidade de lutar e se movimentar nos ares, escalando prédios, pilotando sua moto e perseguindo os bandidos.

Dessa forma, a impressão que essa introdução deixa é que se trata de um episódio à parte do tema do longa, pois se havia a intenção de complementar a obra de Alan Moore dando maior espaço e importância à Batgirl, a escolha do roteirista não foi bem sucedida. Nada do que acontece nessa parte do longa chega a ser retomado ou referenciado em outro momento. Tanto é que quando a narrativa em off de Bárbara Gordon pontua o final de sua carreira como Batgirl e o plano seguinte mostra gotas de chuva formando Círculos em uma poça, de imediato pensei: “agora o filme vai começar”. 

A segunda parte do longa, esta sim uma adaptação direta da obra, segue fielmente a graphic novel e não busca trazer nada de muito diferente do material base. A animação inclusive espelha a arte de Brian Bolland, mas em alguns momentos deixa a desejar. Embora a mudança de paleta de cores seja bem vinda nos flashbacks que apresentam o futuro pai e comediante frustrado que viria a se tornar o Coringa, os traços do Palhaço em si carecem de qualidade gráfica como se a animação tivesse sido feita às pressas.

Independente disso é satisfatório ver que não foi necessária censura na transição dos quadrinhos para a animação: há violência, há sangue, há sexualidade e, definitivamente, há brutalidade por parte do Coringa para com Bárbara tanto quanto o sadismo que marcou uma geração inteira de leitores. Temos aqui o Coringa sem limites disposto a tudo para provar seu argumento.

Apesar de reler minha edição de A Piada Mortal ao menos uma vez por ano, eu evitei fazê-lo antes de assistir à adaptação e, mesmo assim, é evidente que seguiram basicamente a mesma ordem de acontecimentos já conhecida na memória. O diálogo entre Batman e o “Coringa” no Asilo Arkham, a visita do verdadeiro Coringa à Bárbara e James Gordon, os flashbacks, a busca do Batman pelo Palhaço, a sequência do parque de diversões, o embate final.

E sim, o final é semelhante ao da graphic novel mantendo a ambiguidade do que realmente acontece entre Batman e Coringa:  à medida que eles riem juntos, o plano sequência se volta para os círculos de chuva enquanto a risada do Batman permanece e a do Coringa subitamente desaparece.

Mesmo com alguns deméritos, não deixa de ser um evento que merecia ser conferido na tela grande. É um grande prazer ouvir as vozes dos intérpretes de Batman e Coringa (Kevin Conroy e Mark Hamill),  que têm atuado como esses personagens por mais de 20 anos, agora na adaptação da abordagem mais emblemática desses eternos antagonistas.

***

A animação foi produzida pela DC Comics/Warner Bros e tem duração de 76 minutos. É o primeiro longa-metragem do estúdio com classificação Rated-R (ou seja, para maiores de 18 anos). A Piada Mortal foi dirigida por Sam Liu e roteirizada por Brian Azzarello adaptando diretamente do material base, o qual foi escrito por Alan Moore e desenhado por Brian Bolland.

No elenco principal de dublagem estão Kevin Conroy (Batman), Mark Hammil (Coringa) e Tara Strong (Batgirl/Barbara Gordon), que são os mesmos dubladores clássicos que têm trabalhado com esses personagens desde os anos 1990 em animações e games.

O longa foi exibido em várias cidades do Brasil em sessão única e exclusiva através da rede do Cinemark em uma ação conjunta com o site Omelete, em 25 de Julho de 2016, e os ingressos foram disponibilizados em pré-venda online no início do mês. O lançamento nacional do DVD/Blu-Ray ocorrerá no início de Agosto.

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