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Debate Literário – Criação de Mundos Fantásticos | Relato

Confira o que rolou e assista ao debate

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Exorcistas, magos, guardiões, mulheres fatais e doutores foram o saldo super positivo do Debate Literário – Criação de Mundos Fantásticos, realizado na última sexta-feira, dia 07 de novembro, pelo Experimento 42 com os autores Eric Novello, Graciele Ruiz e Enéias Tavares.

O evento, realizado na Geek.etc.br, reuniu os autores para conversar sobre a criação do mundo deles, em especial dos livros Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, O Senhor da Luz e Brasiliana Steampunk – A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison, lançamentos de fantasia recentes de cada autor. Cada livro tem uma temática e um mundo diferente, o debate nos proporcionou miríades do processo de criação de cada um e, também, possibilidades para a criação de nossos próprios mundos.

Um dos pontos interessantes abordados foi como coadjuvantes roubam a cena nos três livros: seja Júlia, Nahya ou Rita Baiana. Em alguns casos, como de Nahya (O Senhor da Luz) isso é planejado. “Nahya é mais madura, já passou por muita coisa e ela tem um dragão!”, conta Graciele. Com o debate, chegamos a conclusão de que tudo fica mais divertido com um dragão 😉

Já Eric contou que Júlia nasceu de uma forma mais livre, com um tom despojado que conquistou os leitores beta, enquanto Tiago, o protagonista, teve que ser retrabalhado. “Eu tinha certeza que ninguém ia gostar dela. E todo mundo adorou, elogiou. E ninguém elogiou o Tiago. Eu tinha um problema pra resolver e um acerto que não tinha percebido”, disse Eric.

Enéias teve um grande trabalho para criar seus personagens: ele teve que revisitar todas as obras que o inspiraram para estudar os diálogos e saber a forma como os personagens conversam e se comportam. Para tanto, estudou os termos e, no caso de Rita Baiana, copiou todas as falas da personagem para entender a voz dela.

Graciele contou que as partes que mais gostam de narrar são… batalhas! E o livro dela está cheio de conflitos. “Vários garotos que leem o livro falam ‘nossa, achei que seria um romance, mas tinha um monte de batalha, e não esperava isso’. Eu não consigo escrever romance, enjoa. Mas batalhas são divertidas”, disse. Graciele também contou que, as pessoas acreditam que, por ela ser mulher, que suas histórias são voltadas para o romance, e que os leitores se surpreendem depois com as cenas de luta.

Literatura Fantástica no Brasil e o preconceito

“Acho que toda literatura é fantástica e a diferenciação acaba sendo um problema. Se nos pensarmos, o primeiro romance do Ocidente é Homero, e tem algo mais fantástico que Ilíada e Odisséia? Se formos ver os grandes autores, todos vão brincar com histórias de fantasmas e bruxas, que acabam sendo colocadas como fantásticas. Mas a literatura de fantasia é séria e trata de temas pertinentes a todos, como crises existenciais, medo, sensibilidade, fragilidade, amor, paixão, decepção, vingança. Então tenho um respeito imenso a esse gênero”, disse Enéias.

“Quando eu comecei, em 2004, a literatura fantástica era marginal, não havia respeito. E o mercado era um ovo, iam os autores conversar entre si, e hoje tem um boom, graças às redes sociais e também a outros autores que abriram caminho, como J.K. Rowling com Harry Potter. E hoje quem escreve tem mais chance de ser publicado. É muito legal esse momento, e eu acho que está começando a cair o preconceito”, contou Eric.

“Eu cresci lendo literatura fantástica e, principalmente na adolescência, quando você acha que sua vida está uma droga, quando você não quer viver sua vida, ela ajuda. A fantasia proporciona essa fuga da realidade para outro mundo, às vezes, melhor que o seu”, disse Graciele.

Em relação ao preconceito que não só o tipo de literatura fantástica sofre, mas os autores, que por vezes têm em suas obras motivo de chacota, a opinião dos entrevistados foi bem positiva:

“Eu espero ver esse preconceito diminuindo, pois há muitas pessoas que associam literatura fantástica a um público específico, de crianças e adolescentes, e a faculdade pode ter parte de culpa nisso, por vezes não reconhecendo a fantasia como tema de estudo, como a ‘literatura séria’ é. Mas por outro lado já vejo teses a respeito de Tolkien, Rowling e Lovecraft, que virou até cânone. Pouco a pouco esse cenário vai mudar”, afirma Enéias.

“Nós estamos vivendo uma fase tão boa e diferente que no Facebook já tem uma página dedicada a falar mal de literatura fantástica! Não é mais marginal, a gente tem haters! Eu acho bacana. Eu li um jornal um artigo falando que Gaiman seria mais respeitado se não escrevesse fantasia. Alguém imagina ele dando a mínima pra isso? Você imagina qual dedo ele ia levantar. E nossa postura tem que ser assim”, disse Eric.

“Eu já sofri preconceito. Um professor universitário ficou me perguntando nome de classes e querendo me desqualificar pelos livros que não li”, conta Graciele. “Se a gente esperar para ler todo o cânone e depois começar a ler, esquece. Depois disso você morre”, completa Enéias, brincando.

Mercado editorial brasileiro

Em relação a entrar para esse mundo fantástico e publicar seu próprio livro, cada autor tem seus 20 centavos para abrir sua mente, caro leitor:

“É fácil entrar no mercado de trabalho? Na área de ninguém é fácil, e na literatura também não é. Você vai começar de algum lugar, às vezes não do jeito ideal. E você tem que melhorar o tempo inteiro. Os desafios existem, mas dá para chegar lá, é só você insistir”, contou Eric.

“Eu sempre quis escrever, fiz até curso de escrita e antes de enviar meu original para uma editora eu escrevi uma defesa detalhada dele e enviei para uma editora independente. Foi uma resposta positiva, mas eu ainda não tinha terminado. Depois disso fiz um evento e distribuí um conto, para ver as respostas. Acho que é importante ir em eventos, mostrar a cara. E logo depois surgiu o concurso da Fantasy. E achei legal poder testar se a ideia era boa. Você tem que estar preparado não só para ouvir parabéns, mas as críticas, que são nossas amigas”, relatou Enéias.

“Demorei cinco anos para acabar o livro. Nesse tempo pesquisei em blogs e sites, o que pode ou não escrever, dicas, relatos e tudo. Nisso eu encontrei o selo da Novo Século que é uma porta de entrada para autores iniciantes. Para publicar por eles é muito rápido, contanto que você esteja disposto a adquirir 500 exemplares. É um investimento que você faz. É uma porta de entrada, mas não é fácil continuar lá. Você tem que se destacar e batalhar”, contou Graciele.

Futuro dos livros – continuações das séries

Para a alegria geral da nação, os três autores pensam em mais obras nos mundos já criados: Enéias quer concluir Brasiliana Steampunk em cinco livros, sendo que os próximos dois se passam antes do primeiro.

Eric pretende criar, no total, quatro livros no mundo de Libertá, os próximos dois com outros protagonistas e o quarto livro juntará os três.

Graciele já tinha pensado que O Senhor da Luz seria uma trilogia e adianta que o segundo pode ser lançado no ano que vem.

Dicas para novos autores

Enéias disse que, para iniciar a carreira e persistir nela, é preciso criar uma rotina de escrita, tirar um tempo por dia para escrever, e se comprometer a isso.

Eric, com seu humor (veja no vídeo), disse que é preciso levar a sério, como uma profissão. “Um cirurgião não chega e fala ‘ah vou fazer uma cirurgia’ e ‘ah, o cara morreu’. Precisa se comprometer”. Além disso, a dica é ter muito material de inspiração, então leia livros e quadrinhos, assista filmes e séries, jogue videogames, etc”.

Graciele disse que você precisa acreditar no que está escrevendo e persistir. Em outra pergunta ela já havia afirmado que há portas de entrada, mas é preciso se destacar.

Agradecemos aos autores e à todos que compareceram! Caso você perdeu, pode assistir ao debate completo em nosso canal (inscreva-se!) e ver também as perguntas que o público fez aos três:


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