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Entrevista | Literatura, RPG e muito mais de Brasiliana Steampunk

O escritor Enéias Tavares conversou com exclusividade com o site

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Brasiliana Steampunk, uma das séries de fantasia nacional mais queridas por nós aqui do Experimento 42, pode até ter começado na literatura, mas não vai ocupar somente este lugar nas estantes dos fãs. Pode se preparar aí para o RPG, cardgame, suplemento escolar e muito mais.

Enéias Tavares, o autor e idealizador da mitologia de série – que reinventa personagens da literatura clássica brasileira em um universo steampunk formando nossa Liga Extraordinária tupiniquim – nos concedeu uma entrevista exclusiva para falar sobre os novos caminhos transmidiáticos de Brasiliana Steampunk.

Confira o bate-bola com esse gaúcho de Santa Maria, que pode ser encontrado sempre ao lado de seu fiel Adamastor, sua bengala companheira de venturas indescritíveis.

Nos conte sobre a importância de explorar a mitologia de Brasiliana Steampunk muito além dos livros?

Hoje, estamos rodeados de experiências transmidiáticas que vão da literatura aos quadrinhos, do cinema à televisão, dos jogos analógicos aos digitais e das narrativas oficiais às fanfics, num mundo no qual os suportes para a literatura, por exemplo, são bem flutuantes. Em vista disso, pensar narrativas em outras mídias é fundamental não apenas por expandir universos ficcionais para os leitores e fãs, como também para testar os limites de diferentes artefatos culturais. Eu penso que a nossa absorção da cultura estrangeira é ainda muito grande e não há problema algum nisso, uma vez que nos Estados Unidos e Europa se atingiu um nível de qualidade impressionante, muitas vezes técnica e também de conteúdo. Mas também defendo a importância como brasileiros de buscar mais inserção e representatividade no mercado midiático, especialmente na indústria POP, com produções locais que referenciem e – por que não? – reverenciem quem somos. Dois escritores nacionais que exemplificam ações transmídia são Affonso Solano e o seu Espadachim de Carvão e Kristopher Kastensmidt e a Bandeira do Elefante e da Arara, série ambientada no Brasil Colonial. Para mim, eles são pioneiros no desafiador exercício de trabalhar com cultura em nosso país.

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Explique sobre o projeto que você está desenvolvendo para RPG. Como foi o desenvolvimento e pesquisa?

Eu não sou um jogador tão assíduo quanto gostaria de jogos de RPG, apesar de ler e colecionar livros de interpretação desde a adolescência, em especial os de Mundo das Trevas, tanto pela ambientação como também pelo processo de criação de personagens e mundos, tendo sido introduzido à prática do jogo há alguns anos, por dois grandes amigos e também artistas, Andrio Santos e Jessica Lang. Assim, quando fui convidado pela editora New Order a produzir uma Recursão para o mundo de The Strange, não haveria pessoas mais indicadas para me auxiliar nessa tarefa do que os dois. Eu e Andrio assinamos o texto, comigo focando mais na ambientação e ele no sistema. Quanto a Jessica, algumas das artes do suplemento serão dela, bem como seus mapas lindos, ao lado de Diego Cunha, Bruno Accioly e Karl Felippe. Em suma, foi um processo muito divertido e instigante, que acima de tudo me desafiou a pensar o universo da série de forma ainda mais detalhado.

Os personagens de Lição de Anatomia serão NPCs no RPG? É importante ler Brasiliana Steampunk para jogar a Recursão Retrofuturista e quando ela será lançada?

Alguns sim, outros não. Os jogadores poderão optar por personagens da série, personagens criados para o jogo, que dialogam mais com o universo de The Strange, pois pertencem à agência que acessa diferentes realidades e universos, sendo Porto Alegre dos Amantes um deles, e também poderão criar os seus, usando personagens já existentes na literatura brasileira ou simplesmente do zero. O jogo é bem versátil e permite várias combinações e exercícios criativos, o que eu particularmente acho fundamental para sessões instigantes e divertidas. E não, não é fundamental a leitura prévia do romance, apesar dela intensificar a experiência como um todo. Encaro um projeto transmídia como possibilitando diversas portas de entrada para um universo, sem haver uma ordem pré-determinada, o que acho um tanto limitador. A série literária é o produto âncora, mas você não precisa dele para aproveitar os contos, a recursão, o card game, os audiodramas ou qualquer outro elemento da série. A previsão da New Order é lançar The Strange no World RPG Fest, dia 17 de setembro, em Curitiba. Estaremos no evento com duas mesas de playtest, uma da Recursão e outra do card game. O lançamento dos dois jogos está agendado para dezembro, na CCXP.

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Além da Recursão Retrofuturista, você está desenvolvendo um cardgame chamado Cartas a Vapor. Fale um pouco sobre ele.

Este é um produto diferente, direcionado para um público mais jovem e talvez escolar. Isso não quer dizer que jovens adultos e pessoas mais experientes não se divirtam com o jogo. Ao contrário. Desenvolvemos Cartas a Vapor a partir de uma proposta da empresa Potato Cat, que inicialmente estava pensando num jogo de tabuleiro. Como os custos de produção são altos, acabamos optando por um card game. O desafio dessa criação foi o de possibilitar aos jogadores interpretarem os heróis e vilões da série executando missões cujas recombinações são inúmeras, criando a sensação de que a cada partida, temos um novo perigo. O jogo, com mais de duzentas cartas, teve por artista e designer das cartas Bruno Accioly e por criadores Kevin Talarico e Samanta Geraldini, ficando eu como consultor criativo, o que adorei. Para teres uma ideia, há personagens inéditos do segundo volume da série que foram parar no card game, bem como ferramentas retrofuturistas criadas para o jogo e que aparecerão em histórias futuras. Aos que quiserem saber mais do jogo, fica o convite a darem uma conferida na página do nosso financiamento na Kickante (veja aqui!), que irá até início de outubro. Aos apoiadores, há várias surpresas legais que estamos preparando.

Como foi o processo de transformar Brasiliana em jogos?

Uma coisa interessante de se trabalhar com várias mídias é que você precisa aprender como elas funcionam, quais suas estruturas internas, suas diferentes abordagens e possíveis impactos sobre a audiência. Escrever literatura, por exemplo, é totalmente diferente de escrever um roteiro para quadrinhos ou audiovisual e o mesmo aprendizado se estende aos jogos. Como fã, não gosto muito de adaptações. Antes, prefiro histórias inéditas feitas exclusivamente para novas mídias. É isso que estamos fazendo com Brasiliana Steampunk, que possui uma linha do tempo bem detalhada, que compreende mais de três décadas de história. Nela, apenas cinco itens correspondem à série literária, sendo que todos os demais serão contatos em jogos como Cartas a Vapor, quadrinhos, contos e outros produtos que venham a surgir no futuro.

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Como é o projeto que está desenvolvendo de suplemento para professores de ensino médio? O que engloba e o como será usado?

Trabalhamos nesse suplemento por mais de um ano e o lançarmos na Bienal do Livro de São Paulo, no dia 02 de setembro, é uma grande alegria. Com artes de Karl Felippe e Poliane Gicele, o suplemento dialoga diretamente com professores e alunos, discutindo as principais barreiras do ensino/aprendizagem de literatura na escola. Como Brasiliana Steampunk tem esse verniz super-heroico, por que não usá-la para energizar os debates e as atividades sobre a nossa cultura? Ainda mais, por que não convidar os estudantes a recriarem heróis e romances como eu mesmo fiz na série? Num certo aspecto, Lição de Anatomia é uma grande fanfic da nossa tradição. O suplemento, com diversas sugestões de atividades criativas, é um convite para que professores e alunos possam fazer o mesmo. Depois do lançamento da versão impressa na Bienal, iremos fazer um evento on-line que culminará com o nosso 7 de setembro, quando ele será lançado nacionalmente para download gratuito no site oficial da série.

Você encontra resistência em relação ao tema steampunk? Ele não é tão popular quanto fantasia medieval, por exemplo.

Não, não tenho encontrado resistência. O que às vezes encontro é um comentário do tipo: “Gosto mais de fantasia do que de ficção científica” ou então “achei que era história de ação e aventura apenas e gostei da dimensão psicológica e dramática do livro”. A capa de Rodney Buchemi dialoga com a Liga Extraordinária o que para alguns leitores passa a ideia de que o romance é “apenas” uma história de aventura. E ela é, mas também é uma reflexão sobre violência, amizade, misoginia, racismo e tantos outros temas delicados e fundamentais à nossa discussão atual. Ademais, contar com o apoio do Conselho Steampunk e de suas várias lojas espalhadas pelo Brasil deu à série um grande fôlego e um impulso fundamental para atingirmos outros públicos.

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Por fim, onde podemos encontrar um apanhado da dimensão Transmídia de Brasiliana Steampunk?

No site oficial da série, que está sempre sendo atualizado. Nós acabamos de disponibilizar nele o Tarot de Lição de Anatomia, por exemplo, com artes de Marcus Lorenzet. Mas também no E-Book Brasiliana Steampunk Transmídia, que estamos disponibilizando a leitores, empresas e escolas, e que dá conta de tudo o que estamos fazendo, com links para todas as nossas ações. Sobre elas, destaco o apoio constante da UFSM como também do Grupo EPIC, que tem se mostrado um dos parceiros mais importantes nessa aventura maravilhosa que está sendo Brasiliana Steampunk. Por fim, a portais fantásticos como o Experimento 42, que sempre tem apoiado iniciativas culturais e artísticas em nosso Brasil. Um beijo a vocês e muito obrigado por esta conversa deliciosa.

Saiba mais sobre estes projetos de Brasiliana Steampunk.

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